O linfoma surge quando, por motivos ainda em estudo, as células começam a multiplicar-se de forma descontrolada 

O número de casos de linfoma não Hodgkin (LNH) duplicou nos últimos 25 anos no Brasil, principalmente entre pessoas com mais de 60 anos, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Estimam-se mais de cinco mil novos casos do tipo LNH em homens e 4.800 em mulheres para cada ano do biênio 2018-2019. O outro tipo de linfoma – o de Hodgkin (LH) – apresenta números mais estáveis, com previsão de 1.480 casos novos em homens e cerca de mil em mulheres no mesmo período. Esses dois tipos existentes da doença podem acometer pessoas em qualquer idade. Mas, afinal, o que você sabe sobre essa doença?

O linfoma é um tipo de câncer que se origina a partir de linfócitos, células do sistema imunológico responsáveis pela defesa do organismo. “O linfócito sofre uma transformação maligna (mutação) e passa a se multiplicar de forma descontrolada, muito mais rapidamente do que os outros linfócitos normais, porém, segue um padrão de tal forma que ficam todos iguais entre si, ou seja, um clone. Com isso, podem invadir outros tecidos e órgãos e gerar transtornos – principalmente o aumento no volume das regiões afetadas”, explica a Dra. Maria de Lourdes Chauffaille, assessora médica em hematologia do Grupo Fleury, que detém a marca soteropolitana Diagnoson a+. Em geral, o linfoma é diagnosticado quando os gânglios linfáticos (linfonodos) aumentam de tamanho.

Tipos

Os linfomas se dividem em dois grandes grupos: o linfoma não Hodgkin (LNH) e o linfoma de Hodgkin (LH), de acordo com os aspectos morfológico, histológico ou imunofenotípico das células envolvidas. Os LNH são mais frequentes e subdividem-se ainda em cerca de 30 subtipos, com comportamentos biológicos e características clínicas semelhantes. De fato, os sinais e sintomas são comuns em vários deles e, para diferenciá-los, somente com a biópsia do linfonodo ou local acometido. Ambos podem acontecer em qualquer faixa etária, sendo que o LH é mais comum na idade adulta jovem. Já o risco de desenvolver LNH aumenta com o progredir da idade, e acomete, particularmente, pessoas acima de 60 anos.

Causas e sintomas

Na grande maioria das vezes não é possível estabelecer uma causa para a ocorrência do linfoma. Sabe-se, no entanto, que situações caracterizadas por algum comprometimento na função do sistema imunológico podem aumentar o risco do surgimento da doença. Além disso, alguns tipos de infecção, como pelo Helicobacter pylori ou pelo vírus Epstein-Barr, e a exposição a agentes químicos e radioativos podem favorecer seu aparecimento.

Exames e diagnósticos

O exame mais importante é a biópsia da região afetada. Frequentemente, retira-se um gânglio aumentado, comprometido pelo processo. Nesse material são realizados diversos estudos que definem, com bastante precisão, o tipo e subtipo de linfoma.

Dentre os testes realizados estão os exames anatomopatológico, imunoistoquímico, imunonfenotípico, citogenético e genético-molecular. Uma vez feito o diagnóstico, deve-se avaliar a extensão da doença e, para tanto, são necessários exames complementares, como análise da medula óssea, exames radiológicos – a exemplo de tomografias e, em alguns casos, o PET-CT (tomografia computadorizada por emissão de pósitrons, com fusão de imagens) – e exames ultrassonográficos, além de outros testes bioquímicos gerais.

Tratamento e prevenções

Após o diagnóstico, a doença é classificada (determina-se o tipo) e seu estágio avaliado (se houve disseminação da doença a partir de seu local de origem e em que intensidade), conforme acima descrito e, na sequência, faz-se a estratificação de prognóstico. De acordo com a estimativa de prognóstico seleciona-se o melhor tratamento, que, em geral, consiste em quimioterapia com ou sem radioterapia.

As medidas preventivas relacionam-se àquelas voltadas à boa qualidade de vida. Dependendo do tipo de linfoma, há grandes possibilidades de tratamento eficaz e cura, tendo em vista os atuais avanços em onco-hematologia.